Buracos nas vias da custam caro aos veículos

A prefeitura de São Paulo assinou um decreto exigindo padrão de qualidade por parte de empresas concessionárias que tapam buracos nas vias. Segundo o prefeito, Bruno Covas, já foram atendidas 38 mil reclamações dentro da meta em atender a população sobre buracos, porém a fila contínua para reclamações de buracos, já está em 20 mil. Essa exigência está ligada às estatísticas das reincidências de buracos.

Embora a prefeitura alegou ter atendido a meta de reclamações de buracos, as reclamações crescem cada dia mais, estas relacionadas também a serviços feitos de forma incorreta, o buraco é tapado sem seguir as normas técnicas e dias depois retorna na via., enquanto a população aguardava que o tapa buraco fosse paliativo para que em seguida fosse feito o recapeamento e não tem ocorrido.

Asfalto caro, buracos constantes

Parte da gravidade se dá aos custos desses contratos serem altos para a população que não recebe em retorno, um serviço de qualidade nas vias públicas.

A prefeitura de São Paulo por exemplo, pretende monitorar mais de perto o serviço das concessionárias e penalizar as empresas que não realizarem corretamente as obras, dentro das normas técnicas. A multa será de R$ 2 mil por cada m².

É importante que as operações de tapa buraco, sejam realmente cumpridas com qualidade, pois os danos aos veículos e até mesmo os acidentes que ocorrem em função dos buracos, são impagáveis e geram mais custos, tanto pessoais quanto ao estado. Tapar buraco é paliativo e recape de má qualidade onde se investe milhões, pior ainda.

Transportes de carga e veículos pesados X asfalto impróprio

Com o aumento de automóveis e da população, o constante trânsito e tráfego de pessoas e veículos, requerem maior análise sobre a qualidade da pavimentação das vias. Existem vias aos quais veículos pesados e de carga não deveriam trafegar e com a falta de fiscalização, é raro que seja respeitado prejudicando ainda mais a estrutura das vias.

O serviço de má qualidade de tapa buracos e recapeamentos, atinge os veículos e as estruturas ao redor, como as casas, os prédios, comércios, gerando risco e prejuízo a todos.

É importante que com as estatísticas atuais das estradas, rodovias e demais vias brasileiras, o governo opte por opções mais inteligentes e econômicas face aos contratos milionários que não tem resolvido efetivamente o problema.

Asfalto inteligente

Pensando em soluções, o engenheiro holandês Erik Schlangen, criou um novo tipo de asfalto que exposto ao calor se regenera. O asfalto é feito com palha de aço por dentro e ao aparecer as primeiras fissuras, ele é exposto ao calor, derretendo e se regenerando de forma a fixar as pedras de asfalto rachadas e ressecadas. 4 anos é período ideal para “requentar” o aço interno que transmitindo calor ao betume (cola do asfalto), evitaria a formação dos buracos. E mais, a duração desse asfalto é de 24 anos, dobro da vida útil de um asfalto normal, de qualidade.

Erik alega que o projeto foi um pedido do governo holandês e mesmo a Holanda quase não tendo buracos, é algo que gera economia ao país. Muitas construtoras não gostaram pois perdem contratos de obras constantes, mas pensando na população e meio ambiente, é o melhor a se fazer. Esse asfalto já é aplicado em 12 pontos da Holanda e países como Chile, Suíça e USA manifestaram interesse em implementar.

Principais materiais utilizados nas vias brasileiras

Aqui no Brasil, basicamente as vias são feitas em laje de concreto ou uma camada de asfalto sobre cascalho, terra, ou outro substrato. O asfalto precisa do betume (piche) ao invés do cimento para ‘”colar” a areia e a brita, somada a uma camada selante que evita a intrusão da água, pois é essa intrusão que em um asfalto vedado incorretamente pode gerar muitos problemas.

A manutenção das estradas são responsabilidades dos governos federal, estadual e prefeitura, cada qual sob sua jurisdição, por exemplo, as estradas que começam com a sigla ‘BR’ são federais.

Nos Estados Unidos, uma alternativa tem sido bastante utilizada, devido a economia financeira para o país, é a injeção de spray, onde demanda apenas 2 pessoas, uma para derramar a mistura de asfalto quente e outra para dirigir o caminhão espargidor, nivelar e compactar o asfalto, com a vantagem do trabalho poder ser realizado também em tempos úmidos.

Nas grandes metrópoles brasileiras, o concreto tem sido bastante utilizado na pavimentação de corredores de ônibus e rodovias, por sua resistência e por suportar altas temperaturas. As desvantagens são alto valor, barulho, pois são bastante ruidosos e nas variações de topografia do solo brasileiro que exige muitos estudos, torna-se complexo demais, levando a desistências.

Outra opção é o asfalto de borracha, uma mistura de piche e material obtido de pneus reciclados, alternativa bastante ecológica, porém o processo é cerca de 40% mais caro que o asfalto tradicional.

Principais danos provocados aos veículos pelos buracos

Dependendo do tamanho do buraco, a estrutura de um automóvel pode ficar bastante comprometida e os custos são bastante altos para o conserto dos veículos.

Os principais danos provocados aos veículos por culpa dos buracos são:

  • desalinhamento de suspensão e ângulo do cáster,
  • rasgos no pneu,
  • comprometimento dos amortecedores,
  • quebra do parafuso pivô que fica na suspensão do ligamento das rodas,
  • empeno ou fratura das rodas,
  • perda de balanceamento de rodas,
  • acentuação do desgaste de buchas e batentes,
  • amassar as bandejas de suspensão que determinam o alinhamento das rodas.

Os estragos ocorrem com o veículo em diversas velocidades e ainda existe o risco de perder o controle do veículo causando acidentes fatais.

Esperamos que o governo federal, estadual e municipal dêem mais atenção aos muitos buracos nas vias brasileiras para que nossos veículos sobrevivam mais tempo.

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